Outubro 2017

Edição 123

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QUESTÕES SOBRE A REVOLUÇÃO RUSSA

Em nome do povo ou com o povo?

Edição 123 | Russia

Desde a “grande reviravolta” de 1928-1929, Stalin passou a regulamentar brutalmente a questão camponesa pela coletivização forçada das terras, o que causou a morte de milhões de pessoas. Do sonho populista – ingênuo, mas generoso – de autogestão do povo russo apegado a seu ideal, passou-se ao domínio das massas

 


QUESTÕES SOBRE A REVOLUÇÃO RUSSA

Quando a revolução hesita

Edição 123 | Russia

A deriva autoritária era inerente ao projeto bolchevique ou foi provocada pelas circunstâncias que incidiram sobre o novo poder? A questão já se colocava enquanto Lenin estava vivo, quando, do sonho de um povo russo autogestionado, passou-se para o comando estrito das massas

Hélène Richard


AS (PEQUENAS) REVOLUÇÕES DE RAUL CASTRO

Cuba quer o mercado, mas sem capitalismo

O presidente Raul Castro anunciou que deixará suas funções em 2018. Cotado para substituí-lo, o primeiro vice-presidente, Miguel Díaz-Canel, nasceu um ano antes da chegada dos guerrilheiros a Havana, em 1959. Uma transição como essa seria uma pequena revolução, logo após outra: a que Castro tentou impulsar com a “atualização” do modelo econômico cubano

 


UM BEM DE TODOS E DE NINGUÉM

Produzir o comum

Edição 123 | Brasil

A primeira estratégia para a produção do bem comum é submeter a economia ao controle democrático. Essa subversão da ordem atual requer uma ativa participação cidadã e a democratização radical das instituições políticas existentes


CONJUNTURA

Vamos repensar os caminhos da esquerda?

O fortalecimento do trabalho de base e a construção de mobilizações a partir das periferias sintetizam, para nós, o desafio de reorganizar a resistência em um novo patamar. Mas esse esforço coletivo precisa estar conectado a um debate de projeto de futuro. A resistência cotidiana precisa ser alimentada por sonhos e esperança

Guilherme Boulos e Rud Rafael


ATAQUE AOS POBRES

Contrarreforma e “corte” de benefícios: o lucro com a miséria

Edição 123 | Brasil

O que acontecerá com os segurados que tiveram seus benefícios “cortados”? Serão reaproveitados nas empresas de origem? O mais provável é que os quase 200 mil trabalhadores fiquem desempregados, sejam privados do atendimento de suas necessidades e elevem os percentuais de miséria


POLÍTICA EXTERNA

Temer e a diplomacia do G-Nada

Edição 123 | Brasil

O baixo perfil de Dilma Rousseff fez o Brasil experimentar uma espécie de letargia na agenda regional, carecendo de novas iniciativas de relevo ou de aprofundamento daquelas existentes. Contudo, com Michel Temer vive-se uma verdadeira recessão geopolítica na América do Sul


PRIVILÉGIOS DA CLASSE MÉDIA ALTA

A falácia dos 99%

A atenção obsessiva conferida à ostentação dos super-ricos permite às elites que desfrutam uma riqueza um pouco menos colossal se esquivarem da questão de seus próprios privilégios.

Richard V. Reeves


UMA POTÊNCIA NUCLEAR DE FATO

Negociar a qualquer custo com Pyongyang

Do alto da tribuna das Nações Unidas, o presidente norte-americano prometeu “destruir completamente a Coreia do Norte” em caso de ataque. De sua parte, os dirigentes franceses e russos defendem o diálogo, mas fazem da paralisação do programa nuclear uma premissa inicial, e não o objetivo da negociação. Uma abordagem já fracassada…

Martine Bulard


EDITORIAL

A solidariedade entre nós

Edição 123 | Brasil

Uma imprensa livre, independente, crítica, que traga elementos novos para ajudar você a formar sua opinião, precisa contar com o apoio dos cidadãos para sobreviver e oferecer ao público leituras plurais da realidade atual, abertura para a discussão de temas controversos, debate público e democrático sobre problemas, demandas sociais e políticas públicas, e os caminhos que o Brasil deve tomar.

Silvio Caccia Bava


NOVOS COLETIVOS

“Querem nos impor uma vida irrefletida”

Quem são e como atuam os novos coletivos que estão enfrentando a conjuntura de crise que afeta o Brasil nos últimos anos, organizando a população das periferias e questionando os vícios das estruturas tradicionais da esquerda

 


CAPA

Ser gay e a saúde pública

Edição 123 | Brasil

Preconceito e violência são alguns dos fatores que têm levado homossexuais masculinos a serem mais propensos à ansiedade, depressão e doenças sexualmente transmissíveis


ENTREVISTA

É proibido criticar o patriarcado

Em setembro, a cena cultural brasileira viu ressurgir a face tenebrosa da censura. Diante de expressões artísticas que criticam o patriarcado, uma instituição ligada a um banco e homens em posição de poder reagiram em defesa de supostas moral e família

Cristiano Navarro


POR UMA REFORMA DIGNA DO NOME

E se refundarmos a legislação trabalhista?

Proclamando ter sido eleito pelas reformas que preconiza, e não contra a extrema direita, o presidente francês quer desregulamentar um pouco mais o mercado de trabalho. Diante do crescimento dos protestos, mesmo os sindicatos próximos do poder julgam a proposta desequilibrada para os assalariados. Adaptar o direito às novas formas de organização do trabalho levando em conta as aspirações humanas conduziria verdadeiramente a outra reforma

Alain Supiot


GOVERNO ABANDONA AUSTERIDADE SEM ROMPER COM A TROIKA

Experimentos de esquerda em Portugal

Minado pela corrupção e desfigurado pela purgação imposta pela União Europeia, Portugal recompõe-se lentamente… driblando as exigências de Bruxelas


PORTUGAL

“Geringonça”, a aliança improvável

A aliança é inédita em quarenta anos de vida democrática. Embora o Partido Socialista governe sozinho, ele é apoiado no Parlamento pelas outras três formações, com as quais assinou acordos bilaterais que especificam os respectivos desejos para a política a ser seguida. Não foi fácil construir a coalizão. O primeiro obstáculo foi a recusa do PCP em se sentar à mesma mesa que o Bloco de Esquerda. Assim, as negociações são feitas entre os socialistas e os comunistas, de um lado, e os socialistas e os líderes do Bloco de Esquerda, de outro.Gwenaëlle Lenoir e Marie-Line Darcy


CONVERGÊNCIA MORTAL ENTRE A UNIÃO EUROPEIA E A UNIÃO AFRICANA

Comércio ameaça agricultura africana

Pela primeira vez em dez anos, a fome no mundo não recuou, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Parte desse desastre pode ser explicada pelo aquecimento global e por conflitos armados, mas as razões passam também pelos acordos de livre-comércio, que impõem a abertura das fronteiras, levando agricultores locais à ruína

Jacques Berthelot


COMO OS CAMPONESES SOBREVIVEM

Círculo vicioso das crises alimentares na África

Edição 123 | África

Em 2015, a ONU se fixou, como objetivo ambicioso, colocar fim à fome e à desnutrição até 2030. Ainda que, em números absolutos, a maioria das pessoas que sofrem com a fome se encontre na Ásia, é na África subsaariana que a proporção de habitantes vivendo com medo da falta de comida é maior

 


100 ANOS: REVOLUÇÃO RUSSA

O século de Lenin

Edição 123 | Russia

Do sismo que abalou a Rússia em 1917 emergiu a novela de uma revolução social encampada com radicalidade pelo Partido Bolchevique, força política cujo projeto emancipador passava prioritariamente pela educação das massas. Sua deriva autoritária, agravada pelo “comunismo de guerra”, suscitava críticas desde o período de Lenin, com uma questão-chave: agir com o povo ou simplesmente em seu nome ? Finalmente, a falência do modelo soviético colocou em xeque o internacionalismo que acompanhou seus primeiros passos ?

 


QUESTÕES SOBRE A REVOLUÇÃO RUSSA

A fonte da contestação popular

Edição 123 | Russia

Em uma Rússia arruinada e famélica em razão da Primeira Guerra Mundial, o Partido Bolchevique se alçou como a única força capaz de acompanhar a revolução social. A radicalidade de seus militantes foi ao encontro daquela das camadas populares, cuja instrução se tornou, portanto, uma prioridade

Éric Aunoble