Agosto 2011

Edição 49

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EDITORIAL

Ano 5

Silvio Caccia Bava


DESEQUILÍBRIO DE PODERES

Nos EUA, a fusão entre imprensa, poder e dinheiro

No Reino Unido, o escândalo criado pelo grupo de Rupert Murdoch revelou as destrutivas ligações entre jornalismo, polícia e política. Nos EUA, o papel do complexo midiático-financeiro cresceu ainda mais depois que uma decisão da Suprema Corte fez explodir o gasto corporativo nas campanhas eleitoraisRobert W. Mcchesnet


ALTERNATIVAS

Mídia e democracia na América Latina

Os meios de comunicação desempenham papel fundamental na construção de sentido social: é a partir deles que construímos a ideia de bem-estar e progresso, realizamos intercâmbio de sentido. Os meios de comunicação não nos dizem o que fazer, mas apontam caminhos – por isso constituem um campo de disputa social e políticaMaria Pía Matta


COMUNICAÇÃO

Mercado não garante banda larga universal

Internet p/ todos com qualidade e preços baixos depende de retomada do Estado. Mas não são só os objetivos de garantir o interesse público que justificam a necessidade da presença estatal. A própria estrutura econômica das telecomunicações faz que o mercado seja incapaz, de prestar o serviço de forma eficienteBraúlio Araújo e João Brant|Veridiana Alimonti


DINHEIRO PÚBLICO

As licitações para a Copa do Mundo e as Olimpíadas

Diante da proximidade da Copa do Mundo e da Olimpíada, o que se busca com um Regime Diferenciado de Contratações? Objetiva facilitar contratações e o desenvolvimento das obras, para cumprir os cronogramas. Todavia, a edição do RDC por meio de medida Provisória impede que se crie uma visão estratégica, de longo prazoRubens Naves|Guilherme Amorim Campos da Silva


DIAS DE TORMENTA NA SÍRIA

“As balas mataram o medo”

Enfrentamentos recentes entre sunitas e alauitas em Homs expuseram os riscos de guerra civil na Síria. Entretanto, a maioria dos manifestantes rejeita tais desvios e reclama por democracia. O poder reafirma querer reformas profundas, mas a sua credibilidade está minada pela violência da repressãoAlain Gresh


MARROCOS

As duas Marrakech

No contexto das revoltas árabes, o referendo de 1º de julho sobre a Constituição marroquina permitiu ao rei Mohammed VI exibir ao menos uma ilusão de democracia. Mas um olhar sobre Marrakech, cidade transformada pelo jet-set parisiense em uma nova Saint-Tropez, ilustra de forma crua as desigualdades que rondam MarrocosAllan Popelard e Paul Vannier


UGANDA

Os reis, o Estado e a terra

Confrontado pelo descontentamento popular, o gov. ugandês adota uma postura forte: repressão policial, vigilância da mídia e intimidação de opositores. O aumento do custo de vida e escândalos de corrupção fragilizam o regime.A crise reaviva tensões entre monarquias tradicionais, que reivindicam direitos sobre as terrasAlain Vicky


SOCIEDADE CONTEMPORANÊA

Elogio à preguiça

Para o preguiçoso, “é preciso ser distraído para viver”, afastar-se do mundo sem se perder dele, sendo por isso acusado de não contribuir p/ o progresso. Além de crime contra a sociedade do trabalho, o preguiçoso comete ainda pecado capital. Pela lógica do trabalho e da Igreja, deve, assim, pagar pelo que não fazAdauto Novaes


COOPERAÇÃO ENTRE MUNICÍPIOS

Cidades como dínamos da integração internacional

Muitos municípios e estados brasileiros se desenvolveram e atingiram excelência em diversas áreas em temas que poderiam ser incorporados à agenda da cooperação nacional, na medida em que já são demandadas pelos países parceiros, sobretudo África e América do Sul, tais como democracia participativa e mobilidade urbanaAlberto Kleiman|Eduardo Tadeu


CATASTRÓFE NUCLEAR, CONVULSÕES ÁRABES E DEBACLE FINANCEIRO

O poder desnudado por suas próprias crises

A crise econômica iniciada em 2008, o acidente nuclear de Fukushima e as revoltas populares no mundo árabe convergem para um questionamento do capitalismo mundial. Apesar das diferenças que guardam entre si, os três grandes acontecimentos que agitam o mundo revelam de maneira gritante os limites de uma mesma lógicaDenis Duclos


CRISE NA EUROPA

Mudar o sistema

Em meio ao turbilhão atual, os cidadãos compreendem que tanto o espartilho da UE, como o próprio euro, foram artimanhas para fazê-los cair na armadilha neoliberal. O BC Europeu, não por acaso, foi criado como um órgão “totalmente independente” dos governos, o que significa estar fora do perímetro da democraciaIgnacio Ramonet


CRISE NOS ESTADOS UNIDOS

Chantagem em Washington

A obsessão de cortar gastos é apenas um dos meios para alcançar o verdadeiro objetivo dos republicanosSerge Halimi


CHINA

Pesquisadores chineses defendem reformas no país

Uma crítica fundamentada da maneira como as autoridades chinesas lidam com os movimentos sociais. Não se trata de desafiar o regime nem de reforçar a repressão, mas sim de encontrar uma outra via que possa conciliar protesto social e estabilidade política: fazer do social a base para uma reforma políticaShein Yuan, Guo Yuhua, Jing Jun e Sun Liping


ÍNDIA

Calcutá quer brilhar mais

A megalópole bengali se beneficiou menos do crescimento econômico que Nova Déli ou Bombaim. Sua falta de dinamismo impede a ascensão das classes médias e suas favelas continuam absorvendo o êxodo rural. Esse sentimento de declínio explica a derrota eleitoral, em maio, dos comunistas, desgastados por décadas de poderCédric Gouverneur


RÚSSIA, 20 ANOS DEPOIS

No país do capitalismo real

Com as eleições gerais em março de 2012, grandes manobras políticas começam a acontecer. Moribunda no início dos anos 90, uma década depois, a Rússia operou, num contexto de autoritarismo e corrupção, uma recuperação econômica e diplomática incrível. No balanço, entram em choque duas visões da transição pós-soviéticaTony Wood


VIOLÊNCIA POLÍTICA

Nas trilhas íngremes da luta armada

O engajamento violento é algo coletivo: são raros os casos de indivíduos isolados que se autorradicalizam, e passam à violência armada. O grupo tem papel crucial, assim como a família. Quando os conflitos perduram no tempo, é comum encontrar várias gerações engajadas na lutaLaurent Bonelli


INDUSTRIALIZAR A FLORESTA

O sonho de Henry Ford no meio da Amazônia

No início do século XX, o industrial Henry Ford impôs sua visão de mundo à construção automobilística. Sua ambição era expandir a “racionalização” e a “padronização” para todas as atividades humanas. Com a criação da Fordlândia, na Amazônia, um centro de produção de borracha para pneus, ele pôs seu sonho em práticaGreg Grandin


METRÓPOLE

Cultura de periferia na periferia

A antropofagia periférica parece comer toda a obra de arte da cultura culta, transformando-a em arte-vida, a partir da experiência cotidiana de quem a produz. A produção não é praticada apenas para que se alcance o reconhecimento pessoal de sua criação, mas p/ que tenha um uso, tanto p/ quem cria como p/ quem a consomeRenato Souza de Almeida


AUTÔMATOS

Máquinas hostis

Apresentada como meio de reduzir as tarefas monótonas, a automação não valoriza o livre-arbítrio ou a competência (o modo de proceder não é atribuição do agente), mas sim a capacidade de conter o estresse e a agressividade. Tudo é feito não para resolver problemas, mas p/ impedir que os responsáveis sejam atingidosJean-Noël Lafargue