Fevereiro 2012

Edição 55

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EDITORIAL

Mudanças necessárias

Silvio Caccia Bava


LUTA PELA MORADIA

Conflitos por moradia estão aumentando no Brasil

Raquel Rolnik, professora da FAU-USP e relatora especial da ONU p/ o direito à moradia, prevê que os conflitos em torno da apropriação do território estão crescendo e devem aumentar. . Para ela, as conquistas no campo dos direitos são minadas e desconstituídas pela predominância da máquina de crescimento econômicoLuís Brasilino


EDUCAÇÃO

No México, a escola sem professor

Enquanto os cartéis de droga controlam regiões inteiras do país, o enfraquecimento do Estado mexicano preocupa até mesmo o governo dos Estados Unidos. O fenômeno pode ser observado também na educação, em que a defesa de estratégias tecnológicas para “reduzir custos” está longe de ser convincenteAnne Vigna


FOME

Quando a comida vira um produto financeiro

O novo diretor-geral da ONU para a Alimentação e a Agricultura, José Graziano da Silva, promete aumentar os recursos destinados à África, a “prioridade” de seu mandato. Mas, além da ajuda pontual – necessária –, será preciso tirar as matérias-primas agrícolas do sistema de especulação financeiraJean Ziegler


LUTA POR MORADIA

Dandara e a luta por habitação em Belo Horizonte

Ocupação urbana demonstra importância de experiências comunitárias no acesso a moradia e revela falhas do setor público no cumprimento do Estatuto da Cidade, expondo a primazia da especulação imobiliária sobre a função social da propriedadeFelipe Magalhães|Douglas Resende


LUTA POR MORADIA

A barbárie nossa de cada dia

Em 2010 teve início a remoção da maior e mais antiga comunidade do centro de São José dos Campos (SP): o Jardim Nova Esperança. Localizado na região do Banhado, esse assentamento abriga desde 1929 cerca de quinhentas famíliasAngela Aparecida da Silva|Cosme Vitor


Luta por moradia

A estética da crueldade

Em Brasília, após a destruição da mata nativa e do modo de vida dos indígenas que ainda resistem, divulga-se a construção no Setor Noroeste de “espaços ecológicos”, como o museu interativo Planetário Indígena e o Museu Vivo do Cerrado. O recado não podia ser mais claro: natureza e indígenas devem ser peças de museuRafael Moreira Serra da Silva


DIREITOS REPRODUTIVOS

Aborto: avanços na América Latina e retrocessos no Brasil?

Todos se lembrarão do papel central que a temática do aborto teve durante as eleições presidenciais e de como a então candidata Dilma comprometeu-se publicamente perante todas as Igrejas, especialmente católica e evangélicas, a levar adiante uma gestão que “defenderia a vida”Margareth Martha Arilha


TUDO DEPENDE DO NKALI

ONU introduz epidemia de cólera no Haiti

O fato de a condição endêmica da cólera não ser possível “sem deficiências simultâneas do sistema de saneamento” não elide a responsabilidade da ONU. Pelo contrário, torna ainda mais grave sua responsabilidade por negligenciar as condições sanitárias de suas instalações em um país com infraestrutura fragilizadaCristine Koehler Zanella|Maria Carolina Silveira Beraldo


DOSSIÊ SALÁRIOS

Ajustes nos custos de produção. A solução? Baixar os salários

A camisa de força macroeconômica da União Europeia não permite outra perspectiva além do dumping salarial organizado. Em um momento em que a negociação coletiva e o aumento salarial parecem impossíveis no quadro legal europeu, o foco das negociações passou a ser a redução da remuneraçãoAnne Dufresne


DOSSIÊS SALÁRIOS

Sindicatos, difícil reação

Se existe um consenso sindical para recusar que se instale na Europa uma austeridade salarial permanente e que o tema seja o centro do sindicalismo europeu, por outro lado, a questão de como fazê-lo permanece em aberto. Seja qual for o salário mínimo comum estabelecido, o caminho a percorrer ainda é longoAnne Dufresne


DOSSIê SALÁRIOS

Um limite aos rendimentos

Se a pobreza provoca uma indignação unânime – é preciso combatê-la para tornar o mundo mais justo –, a fortuna raramente é percebida como um problema. Mas, com a tempestade financeira, a ligação entre ambas novamente emergiu. Assim como uma ideia surgida nos EUA há mais de um século: limitar a renda dos mais ricosSam Pizzigati


EUROPA

Contorções para salvar o euro

O euro, contrariamente ao robô HAL, de 2001: uma odisseia no espaço, jamais esteve conectado a qualquer pessoa ou instituição e por isso pôde seguir sua carreira de moeda de acordo com uma dinâmica própria: seus únicos interlocutores eram os mercados financeiros e um BCE a seu serviçoBernard Cassen


EUROPA

Depois de Tobin

Os Estados salvaram os bancos sem impor outra contrapartida além de lucros ainda mais gordos. Mas nenhuma decisão foi tomada contra as finanças, que segue sendo alvo dos ataques mais dissonantes.Serge Halimi


CRISE ECONÔMICA E SOCIAL

A era do homem endividado

A dívida tem uma moral própria, diferente e complementar à do trabalho. A dupla esforço-recompensa da ideologia do trabalho se vê passada p/ trás pela moral da promessa (honre sua dívida) e da culpa (de tê-la contraído). A campanha contra os gregos dá testemunho da violência da lógica que permeia a economia da dívidaMaurizio Lazzarato


IRAQUE E SÍRIA

Como os tiranos tomam suas decisões

Durante várias décadas, no Iraque e na Síria, Saddam Hussein e Hafez al-Assad – depois seu filho, Bashar – exerceram um poder absoluto. Eles isolaram a oposição e silenciaram as vozes dissidentes, tornando impossível qualquer debate políticoJoseph Sassoon


DIREITO INTERNACIONAL

ONU: como se desfazer dela?

Pela segunda vez em cinquenta anos, as Nações Unidas reduziram, em dezembro, o seu orçamento. Se a crise financeira é a justificativa oficial, os Estados-membros, embora exibindo um compromisso público com a ONU, não hesitam em tentar escapar do espaço de influência do organismoAnne-Cécile Robert


COREIA DO NORTE

A dinastia Kim ou os três corpos do rei

As discussões do Grupo dos Seis – EUA, Japão, Coreia do Sul, China, Rússia e Coreia do Norte –, interrompidas após a morte de Kim Jong-il, foram retomadas para obter um recuo no programa nuclear norte-coreano. Mas enquanto o novo presidente multiplica suas visitas às Forças Armadas, seu irmão prevê o colapso do regimeBruce Cumings


SAARA OCIDENTAL

A obstinada resistência dos saarauis

Desde a assinatura de um cessar-fogo entre a Frente Polisário e o governo do Marrocos, todas as tentativas de solução diplomática da situação do Saara Ocidental falharam. Enquanto isso, na realidade nua e crua, a situação se degenera cada vez maisOlivier Quarante


CIBERATIVISMO

Anonymous, a contestação mascarada

Em 18 de janeiro, milhares de sites dos EUA saíram do ar em protesto contra o Sopa, um projeto de lei antipirataria que pode levar à censura da internet. No dia seguinte, o FBI derrubou o site de downloads Megaupload. Em resposta, o coletivo Anonymous atacou páginas do governo. Emerge uma nova cultura de contestação?Felix Stalder


CIBERATIVISMO

Revolta egípcia, com ou sem twitter

O argumento de que as redes sociais têm influência no incitamento à rebelião costuma se basear na seguinte premissa: as mobilizações dependem da disponibilidade de informação que traga à tona uma verdade até então oculta. Portanto, as mídias on-line teriam um papel na tomada de consciência da populaçãoNavid Hassanpour


CIBERATIVISMO

No Magreb, os blogueiros estão cansados

Se a saída de Zine al-Abidine ben Ali foi celebrada em um grande movimento de unidade nacional, ela também marcou o retorno das divisões. Privados da figura do inimigo, os ciberativistas se tornaram concorrentes políticosSmäin Laacher e Cédric Terzi


CRÔNICA DA MODERNIDADE

Um pescador somali em Paris

Treze somalis acusados de pirataria foram presos pela Marinha britânica no começo de janeiro, enquanto a justiça espanhola ordenava o encarceramento de 6 de seus compatriotas. Assim como Londres e Madri, Paris emprega os métodos mais estritos para “pacificar” o Oceano Índico, normalmente ignorando os direitos humanosRémi Carayol