Fevereiro 2011

Edição 43

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EDITORIAL

Perguntas sem respostas

Silvio Caccia Bava


COMBATE À POBREZA

Recuperar perdas

Para erradicar a miséria e reduzir a pobreza é preciso promover transferência de renda dos mais ricos para os mais pobres. É um jogo de soma zero: se você põe em um lado, tem de tirar de outro. Então, o conceito de pobreza vai determinar o quanto é preciso transferir, o que sempre é uma questão delicadaSilvio Caccia Bava


COMBATE À POBREZA

Como conquistar o desenvolvimento social

Segundo critérios do Banco Interamericano de Desenvolvimento, nossa linha de pobreza foi fixada em R$ 120. E o mais grave é a implicação de que as políticas universais – que beneficiam os “não pobres” – devem ser destruídas e seus recursos realocados para os “pobres”. O real objetivo dessa agenda é o ajuste fiscalEduardo Fagnani


COMBATE À POBREZA

O cidadão pode contar com o quê?

“Ter certeza de” e “contar com” são máximas para universalizar o welfare em contexto de desigualdade social. No Brasil, é preciso ter decisões solidárias e intersetoriais que movimentem o conjunto da ação governamental e atendam não só a força de trabalho dos vitimizados da dívida socialAldaíza Sposati


SISTEMA EDUCACIONAL

Como vai a educação brasileira

A evolução apresentada na década passada não é nem atípica, nem significa a tão almejada mudança de paradigma do sistema educacional. Infelizmente, nada aponta para o início de um processo rumo à necessária inclusão das camadas desfavorecidasOtaviano Helene, Marcelo T. Yamashita e Lighia B. Horodynski-Matsushigue


PACTO FEDERATIVO

Integração: um desafio federativo

A efetividade no combate à pobreza depende da ação combinada dos poderes públicos nos territórios. Ainda hoje esta integração está dando seus primeiros passos. Mas podemos aprender com iniciativas como as de defesa dos direitos da criança e do adolescente, e mesmo com os programas de transferência de rendaRubens Naves


MUNDO ÁRABE

A revolta por liberdade e emprego

A revolução acaba de decapitar o Estado e a Tunísia vive dias caóticos. Livres da censura, as organizações políticas subitamente se veem projetadas à frente do país. Formados pela escola da clandestinidade e marcados por sectarismos, esses grupos são obrigados a entrar em acordo enquanto as ruas seguem ocupadasOlivier Piot


MUNDO ÁRABE

O levante vitorioso na Tunísia

Imprevisível, sem uma real liderança política, unidos pela internet num tipo de comunicação que o regime não previra. Os trunfos do levante mostram agora sua debilidade: ausência de liderança, programa político ou capacidade de dirigir a sociedade após a derrocada de Ben Ali.El Alaoui Hicham Ben Abdallah


MUNDO ÁRABE

Os efeitos da crise do Egito

Nos diversos regimes mundo afora, até mesmo naqueles árabes, a política não se reduz mais às instituições. O Egito comprova uma situação na qual o endurecimento autoritário coexiste com uma transformação fundamental das relações entre o Estado e a sociedadeSarah Bem Néfissa


MUNDO ÁRABE

As contradições da Argélia

Até os anos 1990, o “modelo argelino” se articulava em torno de três pilares: educação para todos, acesso gratuito à saúde e garantia de pleno emprego, em empresas estatais. O estado de guerra contra grupos armados islamitas e as sequelas políticas de ajuste estrutural precipitaram o desmoronar desse sistemaKader A. Abderrahim


MUNDO ÁRABE

O impossível acontece

Sem remeter necessariamente à Revolução Francesa, o ciclo histórico que vive a Tunísia parece familiar. Um movimento espontâneo estende-se, reunindo as mais diversas camadas sociais; o absolutismo balança.


RELIGIÃO

A diversidade dos cristãos no Oriente

Após atentados em igrejas do mundo árabe, em um contexto de confusão intelectual, os holofotes do ocidente permaneceram desviados para o destino dos “cristãos do Oriente”. Estes não constituem um grupo social autônomo e menos ainda uma etnia. Seu histórico é indissociável dos processos vividos pelos povos da regiãoRudolf El-Kareh


SUDÃO

Nasce um novo país

Apesar das previsões pessimistas, o referendo realizado no Sul do país de 9 a 16 de janeiro, validando a secessão da região, foi realizado sem qualquer incidente. Mas embora a longa marcha do Sul esteja chegando ao fim, para concretizar e perenizar essa independência será necessário superar as contradições de CartumGérard Prunier


RELAÇÕES INTERNACIONAIS

Cooperação Sul-Sul e diplomacia tricontinental

Índia, Brasil e África do Sul formam o Ibas, tríade de países que, além de não estar a serviço de uma potência dominante, reforça o estatuto regional de cada um de seus membros e define processos de cooperação.François Danglin


IMPÉRIO

O militarismo americano

É hora de perguntar se os EUA não cometeram um grave erro implantando mais de mil bases militares ao redor do mundo. Essa rede tentacular, concebida para garantir a segurança nacional americana, na verdade parece ter atiçado conflitos e agravado a insegurançaWilliam Pfaff


BOLíVIA

O espírito de Pachamama

Renaud Lambert


VENEZUELA

Sob uma cortina de fumaça

O cenário criado pelos oligopólios da imprensa não impõe divisões ao mundo e diz aceitar todas as opiniões, camuflando sua ação política. No lugar da denúncia à ideologia, há categorização do planeta em democracias e ditaduras, regimes de liberdade ou de opressão. No maniqueísmo torto a Venezuela de Chávez é alvo fácilMaximilién Arvelaiz


SUÍÇA

O sigilo bancário chega ao fim?

Desde o início do século XX, o sigilo bancário suíço tem sofrido críticas e ataques por parte de Estados estrangeiros, principalmente de países como a França e os Estados Unidos. Muito se falou que o fim do sigilo representaria o fim da economia do país, mas ao que parece que não será bem assimSébastien Guex


AGRICULTURA EUROPA

Um novo sentido para os produtos orgânicos

Em vigor há dois anos, uma nova regulamentação europeia permitiu 0,9% de organismos geneticamente modificados nos produtos orgânicos e o adiamento da aplicação de leis referentes ao uso de agrotóxicos. Aliada à produção em grande escala e por empresas do setor alimentício, a medida colocou em xeque a própria definiçãoPhillipe Baque


HIDRELÉTRICAS

Quando as águas de Inga iluminarem a África

As hidrelétricas da República Democrática do Congo teriam capacidade para cobrir 40% das necessidades energéticas da África. Mas os combates para dominar recursos e a instabilidade política interromperam a manutenção das instalações de Inga e sabotaram o desenvolvimento econômicoTristan Coloma