Março 2019

Edição 140

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VENEZUELA, ESTADOS UNIDOS E FRANÇA

Chegar ao fundo do poço… e continuar cavando?

Edição 140 | Venezuela

Paris voltou a se pôr a reboque da Casa Branca e deu seu aval ao que, aparentemente, não passa de um golpe de Estado


EDITORIAL

A guerra contra os diferentes

Edição 140 | Brasil

Se a votação expressou que o povo não queria mais do mesmo, que há uma rejeição ao sistema político como um todo, como fica agora que a alternativa de apostar em Bolsonaro se revela um desastre?


LABIRINTO CASTRENSE

Notas para entender os militares brasileiros na atualidade

Edição 140 | Brasil

Ao dar de ombros a formas menos ortodoxas de compor um ministério e ao ignorar em larga medida o funcionamento do “presidencialismo de coalizão” e o mundo da política, o novo governo lançou uma proposta arriscada e suscitou na cabeça de muitos a questão “O que pensam os militares brasileiros hoje?”


OS SERVIÇOS DE INTELIGÊNCIA E A (IN)SUBORDINAÇÃO DOS MILITARES AO PODER CIVIL NO BRASIL

Somente para meus olhos

Edição 140 | Brasil

Há uma dificuldade institucional e corporativa das Forças Armadas no Brasil em compreender e aceitar a subordinação ao poder civil. Isso se reflete no histórico engajamento político de militares e na relutância em conectar os serviços de inteligência do país aos três poderes, o que enfraquece nossas experiências democráticas


UM MILHÃO DE PESSOAS JÁ PASSARAM PELOS CAMPOS DE REEDUCAÇÃO

A repressão contra os uigures no controlado mundo do “sonho chinês”

Edição 140 | Brasil

Se é difícil avaliar o número de uigures presos ou que passaram pelos centros de reeducação – fala-se em 1 milhão –, é certo que um sistema de vigilância sem precedentes persegue os muçulmanos do Xinjiang, punidos não pelo que fizeram, mas pelo que podem fazer. Xi Jinping promove essa política de repressão como um modelo de segurança


AS CIÊNCIAS SOCIAIS A SERVIÇO DA “CONTRAINSURREIÇÃO

Retrato do intelectual como soldado

Edição 140 | EUA

Desde a invasão do Iraque em 2003, o Exército norte-americano vem financiando novas tecnologias para detectar “insurgentes”. Baseadas nas ciências sociais e na coleta de dados digitais em massa, essas ferramentas encontram aplicações muito além das zonas de guerra


QUEM É ELLIOTT ABRAMS?

A sombria carreira do enviado especial norte-americano à Venezuela

Edição 140 | Venezuela

Há alguns anos, o cáustico Elliott Abrams amava apresentar-se como um velho sábio, um expert em diplomacia sempre preocupado em dar sua opinião informada. Encarregado por Donald Trump de “restaurar a democracia na Venezuela”, ele voltou aos negócios. Olhando sua ficha, os habitantes que vivem onde será sua missão podem começar a se preocupar…


UMA DIREITA INTRANSIGENTE

O que quer a oposição na Venezuela?

Edição 140 | Venezuela

Golpe de Estado, locaute, boicote das eleições… A ala radical da oposição venezuelana tentou de tudo para derrubar Hugo Chávez e depois Nicolás Maduro. Agora que o caos social e político a favorece, ela sabotou as tentativas de diálogo com o poder em 2018 e conta cada vez mais com uma intervenção norte-americana para atingir seus objetivos


SEGURANÇA PÚBLICA

O pacote de Moro nasce velho

Edição 140 | Brasil

Moro sugeriu que juízes possam extinguir penas de policiais que alegarem que mataram por estarem submetidos a “violenta emoção, escusável medo ou surpresa”. Pergunto: se o cabo que matou Hélio justificasse que atirou porque se sentiu surpreendido, seria justo que ele não fosse responsabilizado?


DOSSIÊ ESTADO DE CHOQUE

Políticas da morte e seus fantasmas

Edição 140 | Brasil

As economias e as dinâmicas de massacre concreto e simbólico que atravessam o mundo contemporâneo e, de modo muito especial, o contexto brasileiro deixam em seu rastro muitos corpos insepultos e uma esteira de silêncios e apagamentos de variadas ordens. Confira o segundo artigo do dossiê “Estado de choque”, série de seis análises que publicaremos até julho de 2019


200 MILHÕES DE GREVISTAS CONTRA NARENDRA MODI

Na Índia, os “bons dias” vão ter de esperar

Edição 140 | Índia

Entre abril e maio, 850 milhões de indianos irão às urnas escolher os membros da Câmara, que por sua vez designará o próximo primeiro-ministro. Ninguém arrisca qual será o impacto eleitoral das greves gerais que sacudiram o país em janeiro, uma das mais poderosas manifestações populares dos últimos anos


PROTESTOS DOS BÁLCÃS À HUNGRIA

Revoltas na periferia da Europa

Edição 140 | Hungria

Desde 8 de dezembro, milhares de sérvios se manifestam todo fim de semana contra o regime de Aleksandar Vučić. Na Albânia, estudantes fazem tremer o governo social-democrata de Edi Rama, enquanto a cólera aumenta na Hungria de Viktor Orbán. Para além das diferenças nacionais, as populações da Europa Central se mobilizam contra as mesmas políticas


AS ELITES DIANTE DOS “COLETES AMARELOS”

A filosofia do desprezo

Edição 140 | França

Desde sua posse, o presidente francês, Emmanuel Macron, associou diversas vezes as classes populares a um grupo de preguiçosos incultos e chorões. Assim, ele rompe com a duplicidade dos últimos chefes de Estado em relação aos menos favorecidos: compreendê-los no discurso, mas negligenciar suas reivindicações, e, sobretudo, ignorar a dominação estrutural de que são objeto


FAKE NEWS OFICIAIS

Viagem nas falsas verdades

Edição 140 | França

Se “atraso”, “reforma” e “abertura” constituíram as palavras-chave do pensamento dominante dos últimos trinta anos, as fake news parecem resumir sua obsessão atual. Um fio vermelho une, aliás, os dois períodos: apenas as notícias falsas que visam ao partido da reforma e da abertura deixam indignados os jornalistas profissionais e os líderes liberais. Nos Estados Unidos, na Alemanha e na França, estes últimos estão elevando a luta contra esse tipo de notícia ao status de prioridade política. “A ascensão das notícias falsas”, explicou Emmanuel Macron em sua fala à imprensa em janeiro passado, “hoje é totalmente gêmea desse fascínio nada liberal.” Durante esse tempo, a desinformação tradicional prosperou. Seu eco repercutido o tempo todo lhe confere um caráter de verdade – sem estimular o ardor das agências de checagem.


REFAZER A UNIÃO

Estratégia europeia para a esquerda

Edição 140 | EUA

Mais do que sobre os problemas comuns da União Europeia, as eleições de maio do bloco justapõem 27 votações sobre política interna. Na maioria dos Estados, os eleitores pronunciam-se sobretudo contra ou a favor do governo local. Mas a margem de manobra desses poderes é bastante reduzida pelos tratados continentais. Nessas condições, o que fazer? E para a esquerda, como escapar?


REFAZER A UNIÃO

Por uma “Primavera Europeia” em maio

Edição 140 | Europa

A eleição do próximo Parlamento Europeu acontece entre os dias 23 e 26 de maio. O quadro geral é sombrio: as condições do Brexit permanecem confusas, a relação com os Estados Unidos é marcada pelas humilhações deliberadas de Washington, a extrema direita vai de vento em popa e a esquerda não chega a um acordo sobre um projeto europeu


QUANDO O TRIBUNAL SE FAZ DE PSICÓLOGO

A justiça transfigurada pelas vítimas

Edição 140 | Europa

Desde sempre, a intensidade dramática de certos casos criminais desafia a serenidade da justiça. Essa tensão própria do processo penal cresce com a deificação contemporânea das vítimas. O tribunal não precisa mais simplesmente punir um culpado, ele deve reparar os sofrimentos. Assim, vítimas tornam-se procuradores, e as penas ficam mais pesadas


ENTREVISTA

“Sociedade brasileira é hipócrita e preconceituosa”, diz Ney Matogrosso

Edição 140 | Brasil

Aos 77 anos, ícone da cultura nacional fala ao Le Monde Diplomatique Brasil sobre momento político do país, relação com as drogas e religião


A CRISE POLÍTICA QUE DIVIDE A ÁFRICA

No Congo, o candidato derrotado… é eleito

Edição 140 | Congo

Organizadas com dois anos de atraso, as eleições na República Democrática do Congo resultaram em um arranjo político sem relação com a realidade das urnas. Esse epílogo suscitou divisões inéditas na África. Eclipsando as habituais reações da “comunidade internacional”, tais fraturas lançam luz sobre as transformações políticas do continente


Miscelânea


DIVÓRCIO IDEOLÓGICO ENTRE O MUNDO CIVIL E O MILITAR

A educação nas Forças Armadas

Edição 140 | Brasil

Na maioria das escolas, a educação militar segue divorciada do restante da educação do país, o que afasta as Forças das demais instituições públicas e contribui para a instabilidade das relações entre civis, militares e Estado