Novembro 2008

Edição 16

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Editorial

O que vem por aí

Dois temas fundamentais emergem desse cenário: a desconstrução de um modelo de desenvolvimento e a recuperação do sentido histórico do próprio capitalismo e de sua evolução. O que ainda permanece ausente, ou oculto, é a análise das novas relações de poder.

 


Disputa pelo pré-sal I

Novas regras para muito dinheiro

Empresas transnacionais e seus porta-vozes usam a crise financeira mundial como pretexto para manter inalteradas as leis e regulamentos que as favorecem, em prejuízo do uso soberano das reservas petrolíferas da bacia de Santos para o desenvolvimento do país


Disputa pelo pré-sal II

Petróleo, desmatamento e queimadas

Se explorar corretamente os recursos do pré-sal, o Brasil terá a oportunidade única de combater sua herança de devastação ambiental. Em nenhum outro lugar o crescimento no consumo de combustíveis fósseis pode ser, em sua maioria absoluta, compensado com uma redução das emissões de gás carbônico


Sistema financeiro

Dane-se a realidade! A doutrina continua.

Há duas décadas louvando o sistema hoje em ruínas, os economistas continuam apegados aos seus cânones. Mas agora estão divididos em dois campos: os que, sem qualquer escrúpulo, viraram a casaca; e aqueles que, atordoados pelo choque, ainda tentam defender o indefensável


Depois da crise

A marcha para a multipolaridade

A crise atual do sistema financeiro só acelerou o movimento de recuo do Ocidente. Sem sombra de dúvida, os Estados Unidos continuarão sendo, por longos anos, a potência dominante. Mas a ascensão de Brasil, Rússia, Índia e China leva à formação de novos centros de poder que contestam a ordem internacional


Depois da crise

O declínio americano

Nos anos 1960, John Kennedy conseguiu acabar com o sentimento de inferioridade americano perante os soviéticos. Depois de décadas de altos e baixos, como a derrota no Vietnã e a vitória no Golfo, mais uma vez os EUA vivem um momento pessimista, afundados na crise econômica e na guerra iraquiana


Depois da crise

Uma nova geopolítica dos capitais

A China não é mais somente “a fábrica do mundo”, ela tornou-se o banqueiro dos Estados Unidos. A aliança, porém, não é necessariamente ideológica: Pequim possui a maior reserva mundial de dólares, estimada em US$ 2 trilhões. Qualquer queda da moeda americana provocaria uma alta do iene


Depois da crise

América Latina solta as amarras

As diferenças entre os países latino-americanos permanecem. Entretanto, em uma hora decisiva com esta, eles se mantêm alinhados: fortalecendo os laços entre si e com o Oriente, estão cada vez menos dependentes dos Estados Unidos


Depois da crise

A prudência islâmica

Em respeito à xariá, os banqueiros do mundo árabe não participaram da ciranda da especulação financeira e hoje estão em posição mais confortável que os colegas ocidentais. Porém, para desviar-se da interdição dos juros, eles aplicaram em ativos imobiliários e em matérias-primas, setores igualmente voláteis


Depois da crise

A Índia busca um novo lugar

Em um momento de disputas estratégicas na Ásia, a entrada dos indianos no seleto clube de países que comercializam armas nucleares é uma das maiores alterações na ordem internacional. O país, que ainda está aprendendo a lidar com o poder chinês, também começa a se tornar uma potência


Depois da crise

Dois impérios: duas lógicas

Únicas potências a atingir dimensões globais, Grã-Bretanha e Estados Unidos guardam diferenças substanciais. Quando a era dos impérios marítimos chegou ao fim, os britânicos perceberam rapidamente as mudanças e se adaptaram mais facilmente à nova realidade. Será que os Estados Unidos compreenderão essa lição?


Depois da crise

Novos poderes se afirmam

Foi durante o curso da expansão econômica e territorial coercitiva do Ocidente que nasceram as hierarquias internacionais, fraturando o mundo entre centros dominantes e periferias dependentes. Há, portanto, uma dimensão histórica no reequilíbrio das grandes regiões “emergentes”, Ásia e América do Sul


Dia da Consciência Negra

As gentes do Brasil

O dia de Zumbi dos Palmares deveria ser uma data para comemorar a auto-estima. Para celebrar a conquista da cidadania de cada brasileiro excluído, como os negros, os índios e os pobres. Mas, já passados 120 anos da abolição, ainda se busca estabelecer as diferenças pela cor da pele


Segurança Pública

Falta Estado e sobram armas

Edição 16 | Brasil

Durante as eleições, 28 favelas do Rio de Janeiro receberam milhares de soldados para assegurar a “normalidade” do processo. Mas será que a presença de homens, helicópteros e veículos blindados retrata alguma situação cotidiana? Ou essa tranqüilidade é apenas para quem está fora das favelas?


Direitos Humanos

Julgar os crimes da ditadura

Edição 16 | Brasil

Das sombras que tentam encobrir as torturas e os assassinatos praticados por agentes do Estado durante o regime militar, surgem críticas contra a “Bolsa Ditadura”, apoiadas na atual lei de anistia e revestidas de um cinismo que só se explica pela crença na impunidade


Narcotráfico

As guerras mexicanas

Edição 16 | México

Batalhas intestinas convulsionam o México, movidas pelos grandes cartéis que abastecem o vizinho Estados Unidos. A população, principal vítima, aguarda ansiosamente o desfecho dessa briga, que envolve o exército, a polícia e até o presidente do país


Povos Indígenas

Viagem aos Zo’é

A situação experimentada pelo Projeto Zo’é é única: pela primeira vez conseguiu-se reverter os males de um contato inicial degradante de um povo isolado com a sociedade mais ampla. Afetuosos, acolhedores, comunicativos, eles abandonaram as roupas e voltaram à alimentação tradicional, sem bens compradosBetty Mindlin


Povos Indígenas

O perigo mora ao lado

Edição 16 | Brasil

A exploração de minérios e a destruição de áreas de preservação se tornaram grandes riscos para os Zo’é. Tirá-los dessa situação é um desafio que exige a formulação de políticas públicas capazes de conter o avanço da fronteira econômica, levando em consideração as lições do manejo tradicional


Análise

Por uma economia política não-mercantil

Edição 16 | Mundo

Há dez anos, diante da ameaça aos serviços públicos, o movimento antiglobalização forjou a palavra de ordem “o mundo não é mercadoria”. Até hoje, porém, não existe uma teoria capaz de fazer frente ao discurso econômico liberal criticado por eles. É preciso forjar uma ferramenta conceitual alternativa


Sustentabilidade

Cuidar do lixo, cuidar do planeta

Edição 16 | Mundo

A luta por um mundo sem poluição ambiental passa pelo cuidado com os resíduos. Reduzir drasticamente o uso de materiais químicos e tóxicos e reciclar toda a produção são apenas duas das muitas propostas concretas discutidas na primeira reunião da Gaia para a América Latina e Caribe, cuja declaração reproduzimos abaixo


Institutos de Pesquisa

Uso regular de trabalhadores precários

Edição 16 | Brasil

Fundamental para manter os institutos de pesquisa funcionando, a contratação temporária vai contra todas as leis trabalhistas. Sem direito a férias ou assistência social, muitos funcionários vivem 24 horas por dia à disposição dessas empresas e nunca têm certeza de sua remuneração


Mulheres camponesas

A invisibilidade feminina

Edição 16 | Brasil

No campo, a condição serviçal das mulheres fica ainda mais evidente: além do trabalho na roça, a jornada feminina inclui também o cuidado com a casa e os filhos. Vivendo num espaço predominantemente conservador, elas precisam se organizar e consolidar estratégias para combater a opressão do dia-a-dia


Imigração

Estrangeiros para nós mesmos

Edição 16 | França

Na Europa, muitos locais se tornaram depósitos de refugiados. Centenas de pessoas permanecem até 18 meses detidas, aguardando seu desterro sob coação física, psicológica e moral. São cenas surpreendentes para um continente que apregoa valores como o direito, a liberdade e a dignidade humana


Violência doméstica

O mundo privado como réu

Edição 16 | Brasil

A discriminação contra a mulher é um fator que, na maior parte das vezes, está presente e fundamenta a violência sofrida. Coloca a mulher em situação de inferioridade e de subordinação, limitando sua autonomia, seu poder de escolha e de decisão, bem como o seu reconhecimento como pessoa dotada de direitos e de igual dignidade em relação ao homem.