Março 2021

Edição 164

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EDITORIAL

A autonomia como projeto

Edição 164 | Brasil

Nunca em nossa história a questão da autonomia teve tanta importância como agora. Autonomia de um poder popular em construção. De múltiplas vozes que se insurgem contra as distintas formas de dominação e de discriminação. Esse poder nasce no conflito, nas disputas pela riqueza produzida na sociedade, nas disputas pela remuneração do trabalho, nas disputas pelos recursos para combater a pandemia, para obter as vacinas. São os motoboys, os motoristas de Uber, os caminhoneiros, os funcionários públicos atuantes na área de saúde, os trabalhadores que perderam seus empregos, as favelas que se insurgem contra o terror imposto pelas polícias militares, os negros que enfrentam o genocídio, as mulheres vítimas da opressão patriarcal. 


VENDER A DISCÓRDIA EM VEZ DE INFORMAR

Como Trump e a mídia devastaram a vida pública norte-americana

Edição 164 | EUA

As reações que a invasão do Capitólio por partidários de Donald Trump em janeiro ainda provoca e a vontade deste de seguir ditando os rumos do Partido Republicano parecem indicar que o ex-presidente continua obcecando a imprensa. Esse jogo perverso envenena a vida pública norte-americana há cinco anos


O COMÉRCIO DA POLARIZAÇÃO

Um jornalismo de guerras culturais

Edição 164 | França

O justo meio-termo já não funciona. Ontem dependente do filão publicitário, a imprensa moderada buscava um público de massa e lisonjeava-o simulando objetividade. A receita mudou. Agora, a mídia prospera alimentando guerras culturais junto a públicos polarizados e mobilizados. Para o bem ou para o mal, e sob o olhar vigilante, por vezes sectário, de seus próprios leitores


ESTADOS PARALISADOS DIANTE DA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA

Patentes, obstáculo à vacina para todos

Edição 164 | Europa

Mesmo que tenham chegado às vacinas contra a Covid-19 graças a rios de dinheiro público, as companhias farmacêuticas as vendem a quem paga mais. No máximo, aceitam reservar as doses às suas nações de origem. E se os governos impusessem o fim da propriedade intelectual, de modo que os países que podem produzissem para os demais?


APÓS O GOLPE, UMA MOBILIZAÇÃO DETERMINADA, PORÉM FRÁGIL

A juventude de Myanmar desafia a Junta Militar

Edição 164 | Myanmar

Com medo de perder seus privilégios, os militares de Myanmar tiraram do poder e prenderam os dirigentes eleitos. Aung San Suu Kyi está sendo processada pela “importação ilegal de walkie-talkies” e por “desrespeito à lei sobre desastres naturais”. Três semanas após o golpe e apesar da repressão, a população continua a se manifestar em todo o país


NÃO EXISTE BALA DE PRATA

Cabe à esquerda derrotar Bolsonaro

Edição 164 | Brasil

A oposição de direita mostrou que não tem força, nem social nem de vontade, para liderar o combate ao bolsonarismo. Essa tarefa cabe ao campo popular. A relação com tais aliados pontuais e vacilantes deve ser avaliada em cada ocasião, mas o caminho não surgirá do Supremo, nem da mídia, nem do empresariado “racional”, nem do governo paulista


ENTRE FICAR NA TORCIDA OU FAZER POLÍTICA

A frente ampla é para ontem

Edição 164 | Brasil

Se a situação geral melhorar a partir de 2022 e Bolsonaro se reeleger, aumentam consideravelmente as chances de ele e seu clã se perpetuarem no poder e de que consiga colocar em prática em definitivo seu projeto autoritário a partir de um segundo mandato. Esse cenário catastrófico só poderá ser evitado com a formação de uma frente ampla


DESAFIOS E POTENCIALIDADES DA FRENTE CONTRA O GOVERNO BOLSONARO

Consolidar a democracia para todes é urgente

Edição 164 | Brasil

Uma frente que consiga romper com as hierarquias estabelecidas para a manutenção do poder poderá ser uma ferramenta importante para a garantia do direito à vida e dos demais direitos humanos de milhares de brasileiras e brasileiros


A DEMOCRACIA AGONIZA

Por que não mudar de estratégia?

Edição 164 | Brasil

Acreditamos que a democracia precisa estar no centro das reflexões e das estratégias da esquerda. Essa prioridade não é nova em nossa história e marcou a experiência virtuosa de construção do PT. Com esse horizonte, defendemos tanto a Frente de Esquerda para as eleições de 2022 como a Frente Ampla para as mobilizações que precisamos construir desde já


FUNDOS ESPECULATIVOS DERROTADOS EM SEU PRÓPRIO CAMPO

GameStop, um populismo de plataforma

Edição 164 | Mundo

Em janeiro deste ano, milhares de pequenos investidores on-line coordenaram suas compras e vendas com o objetivo de aumentar os preços das ações de empresas em que grandes fundos de investimentos tinham apostado na baixa. Aplaudida da direita à esquerda, essa rebelião dos “pequenos” contra os “grandes” revela uma revolução ou um carnaval?


ATÉ QUANDO?

A opção trágica e violenta pela não ruptura. Até quando?

Edição 164 | Brasil

Como saímos dessa encruzilhada? Vai ser um processo longo, dolorido, conflitivo e com muitas incertezas. Uma frente popular que seja apenas a reunião das lideranças dos movimentos e organizações não terá força suficiente para nos colocar em outro patamar


O DESAFIO DAS FRENTES

Diante da tragédia, o movimento negro reage, em nome da maioria

Edição 164 | Brasil

Apesar da pouca repercussão das ações do movimento negro, é deste lugar que se vê uma importante mobilização pela vida no contexto de barbárie que vivemos


DO CONGO-BRAZZAVILLE AO BOTSWANA, UM DURO CONTRA-ATAQUE AOS ECOLOGISTAS

Petróleo, a nova atração dos parques naturais africanos

Edição 164 | África

Forçadas a realizar explorações cada vez mais caras em águas ultraprofundas, as empresas petrolíferas tentam atacar a última fronteira terrestre, onde os custos operacionais são mais baixos: parques naturais e reservas de água doce da África. Essa corrida encontra a resistência da sociedade civil e de associações no Norte. A luta, contudo, é muito desigual


EMIRADOS ÁRABES UNIDOS: IMAGEM “MODERNA” E ABUSOS NO IÊMEN

Quando a vitrine começa a rachar

Edição 164 | Emirados Árabes

Pequeno Estado da Península Arábica, os Emirados Árabes Unidos, conduzidos por Abu Dhabi, transformaram-se numa nação capaz de se projetar militarmente na região. Essa posição de tendência belicista, ilustrada por seu papel na Guerra do Iêmen, reforça o estatuto da federação como ator do mercado internacional de armamentos


GUERRA SOCIAL

Os dentes dos pobres

Edição 164 | França

Segundo levantamentos em cursos pré-primários da França, um quarto dos filhos de operários tem cáries não cuidadas, contra apenas 4% dos filhos de executivos, disparidade que aumenta na idade adulta. Os pobres são condenados a dores atrozes, a dificuldades de mastigação ou a um sorriso murcho que sabota sua vida amorosa, social e profissional


O DESAFIO DAS FRENTES

O desenvolvimento por meio de uma causa

Edição 164 | Brasil

A unidade do campo progressista precisa estar voltada ao combate do que virou o Brasil de Bolsonaro


DUZENTOS ANOS DE UMA GUERRA DE INDEPENDÊNCIA QUE AINDA DESPERTA PAIXÕES

“Somos todos gregos”

Edição 164 | Grécia

Há dois séculos, em março de 1821, os gregos levantaram-se para acabar com a dominação otomana. Com oito anos de duração, essa guerra de independência fascinou diversos intelectuais europeus. Alguns, como o poeta Lord Byron, decidiram até juntar-se aos combatentes. Como explicar tamanho entusiasmo?


“UM CASTELO FEUDAL EM RUÍNAS COM UMA FACHADA CAPITALISTA DE PAPELÃO”

O Ícaro e a impossível democracia latino-americana

Edição 164 | América Latina

Muitos cidadãos latino-americanos irão às urnas este ano. Eles votarão para eleger presidentes, como no Peru e no Chile, ou para renovar parlamentos, como no México e na Argentina. Após os progressos dos anos 2000, entretanto, alguns países passam por um preocupante retrocesso democrático. Estariam as populações do subcontinente condenadas aos desvios autoritários?


O DESAFIO DAS FRENTES

Ruptura ou congelamento

Edição 164 | Brasil

O processo social não se resolve na disputa eleitoral quando não enseja a ruptura


JACK MA, O EMPRESÁRIO QUE INCOMODA O GOVERNO CHINÊS

Alibaba, uma epopeia chinesa

Edição 164 | China

Por meio da coleta de dados pessoais de clientes e do idílio com o regime chinês, o grupo Alibaba se tornou um poderoso player global em comércio eletrônico, finanças on-line e saúde. Agora, Pequim começa a perceber sua dependência em relação ao conglomerado e conta com a crescente desconfiança da população em relação ao seu fundador, Jack Ma


O DESAFIO DAS FRENTES

Agir levando em conta a diferença para criar laços democráticos

Edição 164 | Brasil

A transversalidade da tarifa zero como viabilizadora de direitos deve ganhar corpo e espaço nas propostas programáticas de derrota do bolsonarismo


UM OPOSITOR MAIS INCÔMODO DO QUE O KREMLIN IMAGINA

Alexei Navalny, profeta em sua terra?

Edição 164 | Russia

Vítima de uma tentativa de envenenamento, o opositor russo Alexei Navalny está hoje atrás das grades. Pedindo sua libertação, as chancelarias ocidentais se preparam para adotar novas sanções. Já o Kremlin não pretende ceder em nada às pressões ocidentais, que qualifica de ingerências; contudo, monitora as consequências do caso no interior do país


RESENHAS

Miscelanêa

Edição 164 | Brasil

O DESAFIO DAS FRENTES

Três ilusões e o caminho da derrota: notas sobre a conjuntura

Edição 164 | Brasil

A busca a todo custo por uma frente ampla não tem lastro na realidade e está fadada ao fracasso


O DESAFIO DAS FRENTES

Para seguir em frente

Edição 164 | Brasil

A falta de tradição para formar uma frente de esquerda duradoura no Brasil vem de muito tempo


O DESAFIO DAS FRENTES

Um novo projeto de país não é uma escolha

Edição 164 | Brasil

Caminhamos a passos largos para um aprofundamento do autoritarismo e do fechamento democrático

Uma unidade ampla democrática não exclui a necessidade de uma frente de esquerda que aponte um novo projeto de país


O DESAFIO DAS FRENTES

Unidade, programa e bandeiras para enfrentar a crise

Edição 164 | Brasil

É urgente retomar o chamado de unidade, mas com uma pauta concreta e objetivos claros


O DESAFIO DAS FRENTES

Monstros, utopias esmaecidas e a unidade contra a putrefação do Estado

Edição 164 | Brasil

O sistema de alianças políticas que fora conveniente, à esquerda e à direita do espectro político nacional, faliu em 2013

O “corte” unitário nesta etapa é menos diretamente classista e é mais informado pelas disputas políticas imediatas da conjuntura